07.04.1934
Deutsch
Porto Tibiriçá, 07 April 1934
Liebe Lotte!
Heute ist die
erste Arbeitswoche vorbei und mir ist, als ob ich schon Ewigkeiten hier wäre.
Morgens Kaffeetrinken, dann Arbeit bis 11:00 Uhr. Mittag bis 1:30h dann wieder
Arbeit bis 5:30 Uhr, dazwischen Kaffeepause, Abendessen und dann noch circa 3
Stunden um 10:30 Uhr geht das Licht aus, Schlafenszeit.
Hier ist es sehr heiß, ohne Regen, Höchsttemperatur 39 Grad im Schatten, der Paranastrom
ist seit ich hier bin etwas um 1m gefallen aber baden ist vorläufig noch
unmöglich wegen der Fiebergefahr. Dafür sind überall schöne Chuveiros eingerichtet
aber bei dieser Hitze ist das alles illusorisch. Seit Mittag habe ich 2 Mal
geduscht und jetzt um 3:30 Uhr läuft mir das Wasser nur so am Körper herunter
und der Tisch, an dem ich schreibe, ist auch patschnass von meinen Armen.
Hier im Porto
sind schätzungsweise 30 Deutsche, einige davon habe ich kennengelernt, alles
sehr nette Leute. Es sind wohl verschiedene dabei, die sich untereinander, wie
man so sagt, nicht riechen können, aber alles kommt wohl daher, dass zu wenig
Ablenkung nach aussen ist und wenn dann schon einer menschenfresserisch veranlagt
ist, versuch er eben den andern aufzufressen. Unterhaltungsstoff ist
dementsprechend. Gespräche drehen sich meist um Essen und Trinken, ein bisschen
Dorfklatsch und Liebe.
Von den Leuten, mit denen ich verkehre, scheint der Buchhalter, Herr Schiller
ein etwas weiteren Horizont zu haben.
Doch zu dir. Wie
hast du Ostern verbracht? Warst du mit Fräulein Wiese aus? Ich muss immer daran
denken, ob Du nicht doch mit den Schubertchor nach Santos könntest. Bis Du den Brief kriegst, ist ja die Geschichte schon
längst vorbei. Neugierig und gespannt bin ich auf deinen ersten Brief, es ist
immer so ein wenig bedrückend, wenn Mittags Post verteilt wird und es ist nichts
dabei für mich, trotzdem ich weiss, dass es noch gar nicht sein kann der Zeit
nach.
Ich schreibe Brief um Brief hinaus und bin begierig darauf, was für Antworten
einlaufen. Ich habe ich hier einen Herrn Reinecke kennengelernt, der ist aus
Stendal, wo auch Herr Meyer her ist und kennt ihn und Malzinsky. Er kennt auch
Herr Pitschi, weil er Im Jahre 1919 die Eroberung von München mitgemacht hat. Reinecke
war beim Freikorps[1] Lützow. Dann
habe ich auch Herrn Wende wiedergetroffen, einen ehemaligen Pensionskollegen
aus der Pension Henneberg. Er geht leider weg von hier, wahrscheinlich nach
Deutschland. Er hat auf eine sehr nette Frau, vielleicht suchen sie Dich auf. Im
Grossen und Ganzen sieht man hier wieder einmal, wie klein unsere grosse Welt
eigentlich ist. Das ist nur aber ein geringer Trost, weil mich trotz alledem
1000 Kilometer von Dir trennen. Das Einzige, was mir Freude macht ist, dass es
allem Anschein nach doch vorwärts geht.
Wenn es Dir möglich
ist, suche doch einmal Meyers auf. Rua Amâncio de Carvalho 12 A. Du brauchst blos
Richtung Instituto Biológico zu nehmen oder mit den Autobond[2]
zum Endpunkt fahren und dann noch 5 Minuten geradeaus Richtung Instituto Biológico.
Meyers werden sich wirklich freuen.
Ich hätte gerne
noch mehr geschrieben aber das Licht geht gleich aus. Grüsse von mir, wen du
triffst, besonders Pitschis.
Lass es Dir so
gut gehen, wie du kannst und denk ab und zu an mich.
Wie geht es Dona Mocinha?
für heute und
immer
Dein Richard
Porto Tibiriçá. C
Sorocabana
Co Viação São Paulo Mato Grosso
Alle Rechte Vorbehalten
[1]Freiwilligenkorps wurden bis zum Anfang des 20. Jahrhunderts paramilitärische Einheiten unabhängig ihrer nationalen Herkunft genannt. Im deutschen Sprachraum wurden erstmals im 18. Jahrhundert unter der Bezeichnung „Freikorps“ Frei-Regimenter aus einheimischen Freiwilligen, gegnerischen Überläufern, Deserteuren und Straffälligen aufgestellt. (Wikipedia).
[2] Im Jahr 1924 debütierten in Brasilien nationale Autos von Grassi, genannt Jardineira (seitlich offen), Autobonde.
https://vejasp.abril.com.br/cidades/memoria-primeiro-onibus-da-cidade/
Illustratives Foto/ Foto Illustrativa
Quelle:http://netleland.net/tag/auto-onibus
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Português
Porto Tibiriçá, 07 de abril de 1934
Querida
Lotte!
Hoje
já faz uma semana que meu trabalho começou e sinto que eu estou aqui há
séculos. De manhã tomo café e depois trabalho até às 11 horas, aí faço uma
pausa de almoço até às 13h30hs. Depois, trabalho até às 17h30 com um breve
intervalo para um café. Depois vem o jantar e tenho umas 3 horas até às 22h30 quando as luzes se apagam para a hora de dormir. Aqui está muito quente e sem
chuva. A temperatura máxima na sombra é de 39 graus. Desde que cheguei, o rio
Paraná já desceu um metro. E, por enquanto, ainda não podemos tomar banho de
rio por causa do perigo da febre. Por esse motivo, temos chuveiros espalhados
em todos os lugares, mas com esse calor é tudo mera ilusão. Desde o meio-dia já tomei duas chuveiradas para me refrescar e agora, às 15h30 da tarde, já
estou todo encharcado novamente. A mesa de onde eu estou escrevendo está toda
molhada com o suor que está escorrendo dos meus braços.
Acho
que deve ter uns trinta alemães aqui em Porto, alguns eu já conheci e são muito
legais. Eles são muito diferentes entre si e tem alguns que não se bicam quando
se encontram, mas acho que tudo isso acontece porque já faz parte do instinto
deles ser assim desconfiados. Essa gente não tem nenhuma distração de fora e
quando chega uma, vira esse “pega-pá-capá” e isso se torna a nossa diversão. Os
papos são sempre sobre comida, bebida, fofoca de cidade pequena e amor. Das
pessoas com quem eu tenho contato, o Herr Schiller, o contador, é quem tem mais
os pés no chão e o horizonte mais expandido.
Agora
de volta para você. Como foi a sua Páscoa? Você foi passear com a Fräulein
Wiese? Fico aqui pensando que você poderia, sim, ter ido a Santos com o coral
Schubert.
Mas essa história vai ter passado faz tempo quando você receber esta carta. Estou
bastante curioso e empolgado para receber a sua primeira carta. É sempre um
pouco decepcionante quando o correio é distribuído ao meio-dia e não tem nada para
mim. Mas eu sei que cada dia que passa é um dia a menos para chegar uma carta
sua. Eu escrevo uma carta após a outra e estou ansioso para receber as
respostas. Eu conheci aqui um Herr Reinecke que é de Stendal, o mesmo lugar de
onde vem o Herr Meyer. Ele, por acaso, conhece o Herr Meyer, assim como o
Malzinsky. Ele conhece também o Herr Pitschi, porque participaram juntos da conquista
de Munique em 1919. O Reinecke era do Freikorps[1]
em Lützow. Eu encontrei aqui mais um conhecido da pensão Henneberg, o Herr
Wende. Infelizmente, ele vai embora daqui, provavelmente vai voltar para a
Alemanha. Ele tem uma esposa bem simpática, talvez eles te visitem. Pensando
bem, consigo ver agora como um mundo tão grande como o nosso pode ser ao mesmo
tempo tão pequenininho. Mas esse consolo não me conforta quando me lembro dos mil
quilômetros que nos separam neste momento. A única coisa que me deixa mais
animado é que parece que estamos andando para frente.
Se
você puder, procure os Meyer na Rua Amâncio de Carvalho 12 A. É só pegar o
ônibus sentido Instituto Biológico ou pegar o autobonde[2]
até o ponto final e, em seguida, andar mais cinco minutos em linha reta na
direção do Instituto. Eles vão adorar a visita.
Eu
queria escrever mais, mas daqui a pouco as luzes vão se apagar. Mande um abraço
a todos que encontrar, especialmente para o Pitschi.
Pense
em mim de vez em quando e aproveite seus dias ao máximo.
Como
está a Dona Mocinha?
Hoje
e sempre.
Do seu Richard
Porto Tibiriçá. C.
Sorocabana
Co. Viação São Paulo Matto Grosso
Todos os direitos reservados
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[2] Em 1924,
estrearam carros nacionais, da Grassi, chamados de jardineira (abertos nas
laterais), autobonde https://vejasp.abril.com.br/cidades/memoria-primeiro-onibus-da-cidade/
#PortoTibiriçá #EFSorocabana #Anos1930 #Jahre1930 #1934 #ColonizaçãoAlemã #AuswanderungnachBrasilien
ResponderExcluirDocumento maravilhoso. E tem um quê literário, pelo romantismo da saudade.
ResponderExcluirSe tem algo que meu avô era é romântico :)
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